A Resposta Brasileira ao Tarifaço: entenda as medidas do governo brasileiro frente às tarifas americanas
- Rodrigo Messias
- 8 de set.
- 7 min de leitura
Diante do "tarifaço" do governo de Donald Trump, o governo brasileiro anunciou um plano de contingência para proteger a economia e as empresas nacionais. As medidas do governo frente às tarifas americanas, que incluem uma linha de crédito de R$30 bilhões e um pacote de incentivos fiscais, visam minimizar o impacto das tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, como carne, café e frutas, além de buscar novos mercados para diversificar as exportações.
Imagem 1: Contêineres de carga.

Fonte: Produzindo Certo.
Não é novidade que ao longo do último ano as tarifas impostas unilateralmente pelo governo estadunidense dominam o noticiário mundial. O “Tarifaço” de Donald Trump não apenas impactam o comércio internacional, como também afetam internamente as economias dos países alvos das maiores taxas até então anunciadas, levantando questionamentos sobre como cada governo nacional reagirá em busca de amenizar os impactos socioeconômicos frente ao rompante dos Estados Unidos.
Com o Brasil não foi diferente. Desde o anúncio em julho, todos os setores produtivos ficaram apreensivos frente às tarifas de 50% impostas aos produtos brasileiros por parte do governo de Donald Trump e que entraram em vigor no último dia 06 de agosto. Apesar da isenção de mais de 700 produtos, a continuidade das taxas sobre , por exemplo, carne, café e frutas estão impactando negativamente tais mercados, os quais tiveram fortes laços comerciais com os EUA rompidos do dia para a noite.
Em meio a ausência de negociação ou acordos formais entre Brasil e EUA, as atenções se voltaram para as ações que o governo federal brasileiro iria tomar para frear as perdas do tarifaço e amortecer os impactos na economia nacional, de modo a evitar a perda de empregos e proteger as empresas afetadas pelo “tarifaço”. Em meio a um cenário de incerteza, o governo federal anunciou a primeira etapa do plano de contingência para frear as perdas das empresas afetadas pelas taxas unilaterais, bem como liberar crédito e estímulos para essas mesmas empresas.
Sendo assim, ao longo deste serão apresentados os impactos presentes e futuros do tarifaço, além de sintetizar os principais pontos do primeiro pacote de medidas para combater as tarifas de 50% por parte do governo estadunidense. Quer saber como proteger seu negócio e ainda assim expandir internacionalmente? No botão abaixo, você entra em contato com um dos nossos analistas de vendas!
Quais são os impactos do “tarifaço”?
Não obstante o curto tempo de vigência das tarifas, elas provocaram mudanças radicais nas dinâmicas internacionais de comércio tanto no curto quanto para o longo prazo. Ao impor de forma unilateral as novas sobretaxas, o governo estadunidense estabeleceu um cenário de dúvida e incerteza, que reduz o comércio internacional e freia o crescimento econômico mundial. Quer saber mais sobre o contexto que permeia a imposição de tarifas pelos EUA? Acesse nosso blog sobre o funcionamento das taxas do governo Trump.
Em primeiro lugar, numa perspectiva global, as projeções apontam cada vez mais uma redução do comércio internacional, e, consequentemente, uma frenagem ao crescimento da economia mundial. Em perspectiva, conforme apurado pelo jornal O Globo, o Banco Mundial, em julho, diminuiu a previsão de crescimento mundial de 2,7% para 2,3%, configurando, assim, o menor ritmo de expansão em 17 anos (excluindo 2009 e 2020, visto as crises financeira e sanitária).
Além disso, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) apontou um receio maior das empresas em realizar investimentos, outro fator que agrega ao baixo potencial do crescimento econômico internacional. O investimento líquido nas economias avançadas, que já foi de 2,5% em 2008, caiu para 1,6% do PIB na mediana dos países em meio ao contexto atual, sem perspectivas de recuperação.
No que tange o cenário socioeconômico do Brasil, a análises apontam para perdas importantes em determinados setores da economia, afetando negativamente a taxa de expansão econômica do país. Em retrospecto, segundo a plataforma ComexStat do MDIC, os EUA foram o 2° principal parceiro comercial do Brasil em 2024, ao passo que as exportações totalizaram US$40,4, equivalente a 1,8% do PIB brasileiro. Mesmo com a mitigação dos impactos com a lista de exceções (a qual resguardará das sobretaxas, por exemplo, suco de laranja, combustíveis, veículos, aeronaves civis, entre outros), os produtos brasileiros que seguem sujeitos à taxação representam cerca de 55% das exportações ao mercado americano, somando aproximadamente US$ 22 bilhões.
Ademais, segundo levantamento realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) traçou um panorama alarmante caso ocorra a continuidade das tarifas sem nenhuma contramedida do governo brasileiro. Isso posto, o tarifaço pode reduzir em 0,16% o PIB do Brasil (o que representa menos US$19,2 de perdas), ao mesmo tempo que possui o potencial de extinguir 110 mil postos de trabalho no longo prazo.
A partir desse cenário, o governo brasileiro reagiu e criou uma série de medidas para minimizar os impactos do tarifaço e proteger o empresariado brasileiro. A seguir serão apresentadas todas as ações adotadas e como elas funcionarão na prática.
“Brasil Soberano”: a aposta do governo Lula.
Imagem 2: Discurso de Lula no dia do lançamento do projeto.

Fonte: CNN Brasil.
Tendo em vista os dados apresentados anteriormente, a primeira etapa do plano “Brasil Soberano” tem como objetivo socorrer as empresas dos principais setores afetados pela tarifa de 50% à importação de certos produtos brasileiros. Assim, conforme noticiado pelo Ministério da Fazenda, o núcleo central da proposta é a criação de uma linha de crédito de R$30 bilhões com taxas acessíveis através do Fundo Garantidor de Exportações (FGE). A prioridade de acesso a esta nova linha de crédito está relacionada à dependência do faturamento em relação às exportações para os EUA; tipo de produto e porte de empresa. Em outras palavras, serão priorizados os mais afetados. Em especial, as micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) terão um acompanhamento especial, podendo requerer outros fundos garantidores para confirmar o acesso ao crédito.
É importante destacar que o crédito será condicionado à manutenção das vagas de emprego nas empresas beneficiárias. Segundo apuração do G1, o Ministério do Trabalho (MT) instalará a Câmara Nacional de Acompanhamento do Emprego, cujo foco será monitorar o nível de emprego, fiscalizar o cumprimento de obrigações e acordos trabalhistas e propor ações para preservar postos de trabalho.
Além disso, a Medida Provisória n°1309/2025 determina uma série de outras ações para não apenas reagir ao “tarifaço”, mas fortalecer o sistema nacional de financiamento e seguro à exportação, para que o país seja mais competitivo e menos vulnerável a esse tipo de medida no futuro. Nesse sentido, destaca-se as seguintes medidas:
Prorrogação do prazo do drawback: extensão excepcional do prazo para comprovação da exportação de produtos fabricados a partir de insumos importados ou adquiridos no Brasil com suspensão tributária;
Diferimento de impostos: adiamento da cobrança para empresas mais afetadas, como a prorrogação do pagamento dos próximos dois meses;
Crédito tributário: desoneração das vendas ao exterior, com alíquotas de até 3,1% para grandes e médias empresas e até 6% para micro e pequenas. Impacto estimado de R$5 bilhões até 2026;
Compras públicas: União, estados e municípios poderão priorizar produtos atingidos pelo tarifaço para programas como merenda escolar e alimentação hospitalar;
Modernização do sistema de exportação: ampliação das regras da garantia à exportação, instrumento que protege o exportador contra riscos como inadimplência ou cancelamento de contratos;
Novo Reintegra para empresas afetadas: o Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários (Reintegra) para as Empresas Exportadoras devolve aos exportadores brasileiros parte dos tributos pagos ao longo da cadeia produtiva, na forma de crédito tributário, ajudando a reduzir custos e aumentar a competitividade no mercado externo.
Por fim, o terceiro eixo do plano atua na frente diplomática, com foco em ampliar e diversificar a pauta exportadora, reduzindo a dependência das exportações brasileiras em relação aos EUA. No eixo de diplomacia comercial e multilateralismo, o Brasil tem avançado nas negociações de acordos que abrem novas oportunidades para empresas nacionais. Desse modo, há uma aposta em especial em negociações entre os Emirados Árabes Unidos e Canadá, assim como conversas com Índia e Vietnã. Acesse nosso blog sobre o tema e saiba os novos novos mercados bilionários para exportações brasileiras e como lucrar com eles!
Afinal, como lucrar em meio a um cenário tão incerto?
Frente ao panorama incomum do tarifaço e do plano de contingência, novas oportunidades no mercado internacional surgem a cada dia para quem deseja diversificar sua pauta de exportação, bem como acessar novos mercados. Todavia, a proatividade em compreender as mudanças e se adaptar às novas dinâmicas é essencial para navegar pelos desafios e capitalizar as oportunidades emergentes. Muito além de manter-se informado, é importante preparar-se para as futuras mudanças e construir um plano estratégico para adentrar o mercado internacional e expandir seus negócios.
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Referências:
CNI. Levantamento feito pela CNI mostra impactos do tarifaço sobre economia brasileira e global. Disponível em: <https://noticias.portaldaindustria.com.br/noticias/internacional/levantamento-feito-pela-cni-mostra-impactos-do-tarifaco-sobre-economia-brasileira-e-global-/>. Acesso em: 21 de ago. de 2025.
G1. Governo vai fiscalizar se empresas ajudadas manterão empregos; entenda medidas contra o tarifaço. Reportagem. Disponível em: <https://g1.globo.com/economia/noticia/2025/08/13/tarifaco-de-trump-entenda-o-plano-do-governo-para-socorrer-empresas.ghtml>. Acesso em: 21 de ago. 2025.
G1. Tarifaço: Lula diz que medida de ajuda a exportadores começará com R$ 30 bilhões em crédito. Reportagem. Disponível em: <https://g1.globo.com/economia/noticia/2025/08/12/tarifaco-lula-diz-que-medida-de-ajuda-a-exportadores-sera-de-r-30-bilhoes.ghtml?utm_source=share-universal&utm_medium=share-bar-app&utm_campaign=materias>. Acesso em: 21 de ago. de 2025.
G1. Tarifaço de Trump: taxas de 50% contra o Brasil entram em vigor nesta quarta-feira. Reportagem. Disponível em: <https://g1.globo.com/economia/noticia/2025/08/06/tarifaco-de-trump-taxas-de-50percent-contra-o-brasil-entram-em-vigor-nesta-quarta-feira.ghtml>. Acesso em: 21 de ago. de 2025.
GOV.BR. Governo lança Plano Brasil Soberano para proteger exportadores e trabalhadores de sobretaxas dos EUA. Reportagem. Disponível: <https://www.gov.br/fazenda/pt-br/assuntos/noticias/2025/agosto/governo-lanca-plano-brasil-soberano-para-proteger-exportadores-e-trabalhadores-de-sobretaxas-dos-eua>. Acesso em: 21 de ago. de 2025.
MDIC. Comex Stat - Comes Vis. Plataforma digital. Disponível em: <https://comexstat.mdic.gov.br/pt/comex-vis/2/249>. Acesso em: 21 de ago. de 2025.
O GLOBO. O Brasil vai sofrer com tarifaço de Trump, mas preço mais alto virá do impacto global. Entenda por quê. Reportagem. Disponível em: <https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2025/08/20/brasil-vai-sofrer-com-tarifaco-de-trump-mas-preco-mais-alto-vira-do-impacto-global-entenda-por-que.ghtml>. Acesso em: 21 de ago. de 2025.
