top of page

ESG na Exportação: como atender às exigências de sustentabilidade no comércio internacional e aumentar sua competitividade

Nos últimos anos, a sustentabilidade deixou de ser apenas um diferencial competitivo para se tornar um fator estratégico no comércio internacional. Cada vez mais, empresas que desejam exportar ou avançar em processos de internacionalização e exportação precisam demonstrar alinhamento com critérios ESG (Environmental, Social and Governance), além de atender normas de compliance, certificação e regulação ambiental.


Imagem 1: Figura representativa - ESG

Blocos de madeira com ícones ecológicos empilhados em solo, sobre fundo verde desfocado. Temas de sustentabilidade e energia limpa.

Fonte: Sansert


Essa mudança vem sendo impulsionada por diferentes atores do mercado global. Dados do relatório global sobre sustentabilidade corporativa da KPMG, organização global composta por firmas independentes que prestam serviços de auditoria, tributação e consultoria, mostram a dimensão dessa transformação, onde atualmente, 96% das 250 maiores empresas do mundo já publicam relatórios de sustentabilidade ESG, e cerca de 78% utilizam os padrões da Global Reporting Initiative (GRI) para reportar suas práticas ambientais e sociais. A GRI é uma das principais referências globais nesse tipo de divulgação, ao estabelecer diretrizes sobre como as empresas devem registrar as informações de temas como emissões, uso de recursos, relações de trabalho e governança corporativa.



Na prática, para empresas exportadoras, atender apenas a critérios técnicos de produto já não é suficiente. Hoje, fatores como impacto ambiental, rastreabilidade da cadeia produtiva e responsabilidade social passaram a influenciar diretamente a inserção de produtos no comércio internacional. Nesse contexto, contar com apoio especializado pode fazer diferença. A Domani Consultoria Internacional atua no mapeamento dessas exigências e na estruturação de estratégias de internacionalização, auxiliando empresas a se prepararem para acessar mercados que já priorizam critérios de sustentabilidade no comércio global.


Imagem 2: Parlamento Europeu

Hemiciclo vazio do Parlamento Europeu com cadeiras circulares de madeira. Bandeiras dos países da UE e emblema europeu ao fundo.

O que é ESG na exportação e por que ele impacta o comércio internacional?


O conceito ESG reúne três pilares que orientam a avaliação da sustentabilidade corporativa. O primeiro deles é o Environmental, que analisa o impacto ambiental das atividades produtivas, como emissões de carbono, uso de recursos naturais e gestão de resíduos. O segundo é o Social, que envolve relações trabalhistas, direitos humanos e impactos sociais das atividades empresariais. Por fim, o Governance trata da forma como a empresa é administrada, incluindo transparência, ética corporativa e estrutura de governança.


Mas o que isso tem a ver com exportação?


Um dos exemplos mais claros dessa transformação vem da União Europeia, que tem adotado políticas ambientais cada vez mais rigorosas para produtos importados. Entre as iniciativas mais relevantes está o Carbon Border Adjustment Mechanism, conhecido como CBAM. O mecanismo exige que importadores reportem as emissões de carbono associadas à produção de determinados bens, como aço, alumínio, fertilizantes e cimento.


Na prática, o CBAM funciona como um ajuste de carbono na fronteira. O objetivo é garantir que produtos importados sigam padrões ambientais semelhantes aos exigidos pelas empresas europeias. De acordo com pesquisa realizada por estudantes da IMT School for Advanced Studies, na Itália,  é indicado que políticas desse tipo podem reduzir em cerca de 5,19% as emissões associadas às importações da União Europeia, incentivando cadeias produtivas mais sustentáveis no comércio global.


Diante desse cenário, uma pergunta passa a ser inevitável para empresas que desejam exportar: sua empresa está preparada para atender essas novas exigências?



Certificação e selos de sustentabilidade no comércio internacional


Para o cumprimento do ESG, instrumentos como certificações e selos, funcionam como mecanismos de confiança entre exportadores e importadores. Em muitos casos, servem como uma forma rápida de comprovar que determinado produto segue padrões ambientais e sociais reconhecidos internacionalmente.


Entre as certificações mais conhecidas estão os programas desenvolvidos por organizações como: Rainforest Alliance, Fairtrade International e Forest Stewardship Council. Outras iniciativas também desempenham papel relevante em cadeias globais de valor, como o Roundtable on Sustainable Palm Oil (RSPO), voltado à produção sustentável de óleo de palma, o Marine Stewardship Council, que certifica pescados provenientes de pesca sustentável, e o Global Organic Textile Standard (GOTS), direcionado à produção de têxteis orgânicos. Diante dessa variedade, identificar quais selos são mais adequados para cada produto pode ser um passo importante no processo de internacionalização. Nesse sentido, a Domani atua no levantamento e análise dessas certificações para propor quais requisitos podem fortalecer o posicionamento da sua empresa no comércio internacional.



A relevância desses selos tem crescido significativamente nas últimas décadas. Segundo o relatório State of Sustainable Markets 2024,  produzido pelo International Trade Centre, International Institute for Sustainable Development e Research Institute of Organic Agriculture (FiBL), ao menos 9% da área agrícola mundial já está coberta por algum padrão de sustentabilidade, e a área certificada por diversos padrões aumentou entre 16% e mais de 60% entre 2018 e 2022, dependendo da commodity analisada. Esses dados indicam que os selos de sustentabilidade têm se consolidado como instrumentos centrais de governança nas cadeias globais de valor.


Tabela 1: Tabela retirada do relatório em que demonstra o crescimento da aquisição dos selos sustentáveis mais reconhecidos internacionalmente ao longo de 2021 a 2022. 

Standard (Padrão)

Area Certified (Área Certificada)

Producers

(Produtores)

Share of global agricultural (Participação da área agrícola global)

Area growth2021 - 2022 (Crescimento da área)

Area growth2018 - 2021 (Crescimento da área)

4C

831.900

307.590

0.02%

5.0%

-37.4%

Better Cotton

4.548,909

1.518,863

0.10%

-5.4%

9.2%

Bonsucro

2.379,399

159

0.05%

27.8%

109.6%

CmiA

1.824,743

091.798

0.04%

7.0%

2.5%

Fairtrade

3.080,520

1.848,268

0.06%

-2.5%

16.1%

GLOBAL G.A.P.

4.506,825

192.062

0.09%

4.3%

16.9%

Organic

96.610,720

4.512,778

2.02%

26.7%

36.3%

ProTerra

2.136,304

105.328

0.04%

12.7%

-3.0%

RainForest Allience

5.242,966


0.11%

0.6%

17.1%

RSPO

4.893,346

167.467

0.10%

7.2%

30.8%

RTRS

2.028,070

66.374

0.04%

52.3%

60.5%


Imagem 3: Selos e Certificados

Logos de certificações sustentáveis, incluindo Fairtrade, USDA Organic, Better Cotton e Rainforest Alliance, com cores variadas e formas distintas.

Elaborado por Domani Consultoria Internacional


Como investir em ESG para aumentar a competitividade na exportação


Diante desse cenário, muitas empresas começam a se perguntar: como se preparar para atender essas novas exigências do comércio internacional?


O primeiro passo costuma envolver a elaboração de um planejamento estratégico voltado à internacionalização. Esse processo permite identificar quais mercados apresentam maior potencial para determinado produto, considerando fatores como barreiras regulatórias, exigências ambientais e acordos comerciais vigentes.


Um planejamento bem estruturado ajuda a evitar investimentos em mercados pouco viáveis e direciona os esforços para regiões onde a empresa possui maiores chances de inserção competitiva e aumento de lucro. Além disso, compreender a estrutura competitiva do mercado de destino, analisar concorrentes internacionais e identificar preferências de consumo são fatores que influenciam diretamente o desempenho de um produto no exterior.


Nesse contexto, a promoção comercial internacional também ganha destaque. Participação em feiras, rodadas de negócios, missões comerciais e ações estruturadas de prospecção ajudam empresas a se aproximarem de compradores estrangeiros e criarem oportunidades reais de negociação.


Um exemplo prático: a inserção do açaí brasileiro no mercado europeu


Projetos de internacionalização mostram, na prática, como a sustentabilidade e estratégia de mercado devem caminhar juntas.


Em um dos trabalhos conduzidos pela Domani, foi estruturado um planejamento de exportação de açaí do Pará para a Holanda. O projeto envolveu não apenas a análise de mercado, mas também um mapeamento detalhado das exigências relacionadas a critérios ESG e segurança sanitária.


Considerando que o açaí exige cuidados específicos de processamento, inclusive para prevenir riscos sanitários associados à doença de Chagas, o planejamento buscou estruturar caminhos para adequar a cadeia produtiva às exigências internacionais de qualidade, rastreabilidade e sustentabilidade. Com isso, foi possível demonstrar como o produto poderia entrar no mercado europeu não apenas como uma commodity tropical, mas como um alimento com valor agregado, alinhado a práticas responsáveis de produção.


Nesse tipo de estratégia, o ESG deixa de ser apenas uma obrigação regulatória e passa a se tornar um diferencial competitivo, capaz de fortalecer o posicionamento do produto brasileiro em mercados exigentes como o holandês.


O que sua empresa pode fazer agora?


Por meio de estudos de mercado, análises de viabilidade e estratégias de promoção comercial, a Domani apoia empresas a compreender melhor o ambiente internacional e estruturar caminhos seguros para a internacionalização.


Se a sua empresa deseja se adequar às práticas ESG e ampliar suas oportunidades no comércio internacional, um diagnóstico estratégico pode ser o primeiro passo para transformar exigências regulatórias em novas oportunidades de mercado!



Produzido por: Maria Izabel Arcênio de Souza

Revisado por: Matheus Henrique Almeida Pereira

Referências:


FACEST. The EU ESG Regulatory Regime: A Detailed Guide. Disponível em: <https://insight.factset.com/the-eu-esg-regulatory-regime-a-detailed-guide>. Acesso em 11 de março de 2026. 


FGV. CBAM - O MECANISMO DE AJUSTE DE CARBONO DA FRONTEIRA DA UE. Disponível em:< https://geoeconomia.fgv.br/sites/default/files/2023-05/CBAM_Vera_Amanda_Cathe.pdf>. Acesso em 11 de março de 2026. 


ITC. The State of Sustainable Markets 2024: Statistics and emerging trends. Disponível em:< https://www.intracen.org/file/20250120itcsustainablemarket2024webpages02finalpdf. Acesso em 13 de março de 2026. 


WALCZAK, HUREMOVI, RUNGI. The Network Effects of the EU Carbon Border Adjustment Mechanism with a Quantitative Trade Model. Disponível em: <https://arxiv.org/pdf/2506.23341>. Acesso em 11 de março de 2026. 




1 comentário


mfmarcelle41
há 3 dias

👏👏👏👏

Curtir
bottom of page